Os maus exemplos do Estado que manda

O Estado, com os seus braços menores, é muitas vezes caloteiro, mau pagador a quem deve, mau patrão de quem o serve. Usa para si, descaradamente, medidas que, para outros são crime punido por lei.
Um exemplo corrente: um empregado numa empresa privada, depois de três anos de serviço não interrompido, pode passar, automaticamente, a trabalhador efectivo, e está certo. Mas, se for empregado do Estado, por exemplo, professor em qualquer lugar inóspito deste país, pode servir o patrão anos e anos, às vezes quase a chegar à dúzia e meia, e continua precário… Quem sabe explicar este mau exemplo de quem governa? Claro que não falta quem entre logo como efectivo, mas essa é outra conversa…
O povo diz que “o exemplo vem de cima”. Claro que, na sua sabedoria, se quer referir aos bons exemplos. Mas anda tudo subvertido e alterado. No mesmo país uns choram pelo que não têm e outros riem pelo que têm e lhes sobra. E não são sempre os que mais trabalham aqueles que riem. Será que isto terá mesmo de ser assim? Nem pensar. É assim porque alguns se habituaram a só mamar se chorarem, e porque a maioria dos injustiçados, cidadãos de terceira ou quarta categoria, não se dispõe a arregaçar as mangas e a unir-se a outros para denunciar publicamente e a inverter o sentido da roda da injustiça, dos compadrios e das discriminações correntes.

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