Guião para uma liturgia familiar

Nota introdutória:

É em família, que o Povo de Deus começa por celebrar a sua Páscoa! Segundo a tradição, cada família judaica, reunida à mesa, na festa da Páscoa, come o cordeiro assado, fazendo memória da libertação dos Israelitas, da escravidão do Egito!

É também em família, com os seus mais íntimos, reunidos no Cenáculo, que Jesus, consciente da sua morte iminente, Se oferece a si mesmo pela nossa salvação (cf. 1 Cor 5, 7), como verdadeiro cordeiro pascal!

É para nós um sinal cheio de significado, que o Senhor Jesus queira ter instituído este grande sacramento da Eucaristia, por ocasião de um importante encontro familiar: a Ceia pascal! E naquela ocasião, a sua família, a nova família gerada pelos vínculos da fé, foram os Doze, que com Ele viviam há três anos.

Dessa família, ainda em gérmen, reunida à volta da mesa sagrada do cordeiro pascal, nascerá a Igreja, essa grande e nova família, reunida e nutrida à volta da mesa da Eucaristia!

Este ano, a pandemia provocada pelo coronavírus leva-nos a redescobrir a família, como Igreja Doméstica. E pede-nos criatividade, para celebrar a Páscoa na Igreja Doméstica.

Os sinais fortes da vida de Cristo poderiam desenvolver-se em redor da mesa, na hora da ceia, com toda a família reunida. Entretanto, mesmo quem vive só deverá pôr a mesa como para uma festa.

A ceia, propriamente dita, poderia iniciar-se com a bênção da mesa, do pão e do vinho e incluir ou prosseguir – mesmo para as pessoas que vivem sós – com alguma palavra memorial da última Ceia «Nesta noite em que Jesus e os discípulos…».  

No centro da mesa deveria estar um único pão, grande, comprado ou feito em casa durante o dia, a partir e repartir pelos comensais, em vez dos habituais pãezinhos.

Após a bênção, um membro da família poderia partir o pão e distribuir um pedaço a todos, sem dizer nada, mas dando espessura simbólica ao gesto.

A partir daqui a ceia prosseguiria na habitual, e se possível mais intensa, convivialidade.

No final da Ceia pode incluir-se  a leitura de João 13, seguida, se as circunstâncias o permitirem, do lava-pés recíproco dos esposos e, a seguir, dos filhos. Seria um gesto extremo, a propor e não a impor. Nem todas as famílias estarão predispostas para um gesto tão «radical»? Mantendo o sinal do jarro e da bacia faça-se, ao menos, um recíproco lava–mãos…que colocamos no princípio.

Deixamos aqui algumas sugestões, a adotar e a adaptar, no todo ou em parte. Podem cantar-se alguns refrães ou cânticos de conteúdo mais eucarístico, com recurso às novas tecnologias (procurar no google, no youtube) ou aproveitando os talentos dos presentes para o canto.

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